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domingo, 18 de julho de 2010

Brasil busca modelos e conta com 2016 para virar potência olímpica



Nos anos 1970, durante o chamado "milagre econômico" brasileiro, ficou famosa a frase de um ministro do governo militar que comparou a divisão de renda com "a espera do bolo crescer para depois então dividi-lo". Filho de militar, nascido em Bento Gonçalves, Marcus Vinicius Freire, jogador de vôlei da geração de prata de 1984, hoje Superintendente Executivo de Esportes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), defende o trabalho de manutenção e melhoria do "bolo histórico" de esportes tradicionalmente vitoriosos nos Jogos Olímpicos, como judô, natação, atletismo, futebol e vôlei para então repartir as esperanças do pódio olímpico com outras modalidades.

"Nos últimos seis Jogos Olímpicos, tivemos nove modalidades ganhadoras de medalhas. Precisamos manter, claro, e, se possível, ganhar mais nesses esportes, mas nossa preocupação para 2016 é achar mais, novas modalidades para que cresça nosso resultado", diz Marcus Vinicius, que se formou em economia após deixar as quadras e trabalhou por 16 anos no ramo de seguros.

"Tem que pensar numa bolsa de ações. As modalidades que te dão resultado, que garantem seu dia a dia, têm que tratar com carinho. Mas também olhamos para frente. Pode (o esporte) não dar resultado na categoria adulta, mas dá no juvenil. Também olhamos a quantidade de medalhas em jogo. Boxe, tiro esportivo, têm mais de 50 provas em disputa".

"Marcão" é um dos homens de confiança de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB desde 1995. Ele defende o sistema adotado logo após a Olimpíada de Pequim 2008, quando o Brasil disputou 41 finais (mais do que as 30 de Atenas-2004 e as 22 de Sydney-2000). No entanto, menos ouros, o que causou críticas pelos gastos no ciclo olímpico. Segundo Freire, o ciclo olímpico (2005-2008) permitiu US$ 200 milhões distribuídos pelo COB para confederações. Além do Pan de 2007 como "divisor de águas", o dirigente credita o desempenho brasileiro nos últimos jogos à Lei Agnelo-Piva, que transfere 2% das receitas de loterias federais ao COB.

"As pessoas dizem: 'Ah, mas não trouxe medalha'. Mas vai tentar ir para os Jogos. É complicado você chegar, ficar, conseguir o índice, ser finalista. Não é tão simples assim", diz ele, que ainda espera a aprovação de um orçamento extra para os esportes olímpicos e prefere ainda não fazer prognóstico da meta de medalhas para Londres-2012.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Jaqueline Mourão melhora desempenho e se despede de Vancouver em 67º


Foram 10km de uma "caminhada" pela gelada montanha de Whistler, em um percurso que ela conhece bem. Casada com um canadense, Jaqueline Mourão, a única brasileira a disputar duas Olimpíadas de Verão e duas de Inverno, equilibrou-se como pôde por duras subidas e descidas e abriu a participação do Brasil nos Jogos de Vancouver. Largou em 67º e, exausta, chegou em 67º, igualando a colocação que obteve em Turim-2006, mas baixando em cinco minutos seu melhor tempo e diminuindo a diferença em relação à vencedora. Completou a prova do esqui cross country em 30m22s2, 5m23s8 atrás da sueca Charlotte Kalla. Na Itália, Jaqueline fez 35m59s7, 8m08s mais lenta que a campeã, a estoniana Kristina Smigun-Vaehi.



- Estou muito contente com meu resultado e com o tempo da prova. Estava me sentindo muito tranquila e bem mentalmente antes da largada. A experiência de quatro Jogos Olímpicos me ajudou. Não cometi nenhum tipo de erro durante e por isso me aproximei bem mais das primeiras colocadas. Esse foi o meu melhor resultado direto - disse Jaqueline.



Ainda nesta segunda-feira, outro esquiador vai estampar no macacão a bandeira brasileira: Leandro Ribela compete nos 15km. Isabel Clark, Jhonathan Longhi e Maya Harrisson completam a delegação verde-amarela.

Charlotte Kalla, de 22 anos, faturou o ouro ao cravar 24m58s4, superando Kristina Smigun-Vaehi. A estoniana liderava com 25s05, mas viu, da área de atletas, sua medalha mudar de cor. Correndo pelo bronze, a norueguesa Marit Bjorgen marcou 25s14s3 e garantiu o pódio - em 2006, ela tinha abocanhado a prata.



Jaqueline foi a 67ª das 78 competidoras a entrar na prova. Em Turim, eram 72. As não muito boas condições da neve em Vancouver fizeram com que organizadores optassem por priorizar as atletas mais bem colocadas: elas foram as primeiras a largar. As esquiadoras tinham que dar duas voltas no percurso de 5km, a 800m do nível do mar.



Quando a brasileira iniciou sua jornada, as atenções estavam todas voltadas para a luta por medalhas. A ela, restava apenas o apoio de amigos e parentes.

Jaqueline se aproximou da linha de chegada quando a prova já tinha, praticamente, suas medalhistas definidas. Após mais de 30 minutos, finalmente ela entrou na reta final. Ali, uma bandeira verde e amarela, na torcida, anunciava sua chegada. Cravou 30m22s2. Em vez de jogar-se ao chão, como tantas outras atletas, apoiou-se sobre os esquis, buscando ar para respirar.



Pioneira do mountain bike brasileiro em Jogos Olímpicos, Jaqueline competiu em Atenas-2004, quando ficou em 18º. Quatro anos depois, voltou às Olimpíadas e decidiu se despedir da bike. Única brasileira na final feminina de cross country em Pequim, ela não chegou a terminar o percurso de seis voltas - foi eliminada na quinta, depois de tomar uma volta da campeã, a alemã Sabine Spitz. Ficou com a 19ª colocação geral.



Jaqueline começou a se aventurar pelas montanhas cobertas por neve depois de conhecer seu marido, no Canadá, onde mora desde 2004. E, como por lá era difícil andar de bicicleta no inverno, fez do esqui uma forma de treinar para o mountain bike. A brincadeira logo virou profissão. Deu duro e conseguiu uma vaga nos Jogos Turim, onde o número 67 começou a marcar sua carreira.



Após a prova desta segunda, Jaqueline voltou a contar sua história. Apesar de ter ficado longe do pódio, equipes de televisão correram para entrevistar a brasileira. Queriam saber como uma atleta de um país tropical compete na neve.



Emocionada com o resultado conquistado em Vancouver, Jaqueline já avisou que tentará uma vaga nos Jogos de Sochi-14.



- Estou muito empolgada com minha evolução. Comecei há apenas cinco anos, me classifiquei para duas Olimpíadas e sigo baixando meus tempos. Quero ver até onde posso chegar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cielo é eleito o quinto melhor da América Latina e Caribe. Bolt fica em primeiro


Um dia após ganhar o Prêmio Brasil Olímpico como maior atleta brasileiro de 2009, o nadador Cesar Cielo foi citado entre os melhores esportistas da América Latina e do Caribe. Recordista mundial dos 50m e dos 100m livre, Cielo ficou em quinto lugar na eleição promovida pela agência cubana Prensa Latina.

O vencedor da disputa foi o jamaicano Usain Bolt, do atletismo, seguido pelo argentino Lionel Messi, que nesta segunda foi eleito pela Fifa como o melhor jogador de futebol do ano. Cielo ainda ficou atrás do tenista argentino Juan Martin Del Potro e do lutador cubano Mijaín López.

Campeão em 2008, Bolt teve 45 votos na eleição deste ano, contra 18 de Messi. O jamaicano deu show no Mundial de Atletismo em Berlim, batendo os recordes mundiais nos 100m e nos 200m rasos, além de vencer também o revezamento 4x100m. No feminino, o prêmio ficou com cubana Yargelis Savigne, campeã mundial de salto triplo, superando a corredora jamaicana Shelly Ann Fraser.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Prêmio Brasil Olímpico exalta Rio-2016 e coroa Cesar Cielo e Sarah Menezes


Cesar Cielo e Sarah Menezes foram os grandes vencedores do Prêmio Brasil Olímpico 2009. Em uma noite de celebração à vitória carioca na luta pela sede das Olimpíadas de 2016, nadador e judoca receberam das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva os troféus como melhores atletas brasileiros de 2009 .

Entre os homens, Cesar Cielo, campeão e recordista mundial dos 50m e 100m livre, teve 77% dos votos dos internautas e ficou à frente de Diego Hypolito (ginástica) e Torben Grael (vela). No feminino, Sarah Menezes, com 46%, deixou para trás Poliana Okimoto (maratona aquática) e Natália Falavigna (taekwondo) .


Sarah foi a primeira a discursar e, lendo uma longa carta de agradecimento, falou com carinho de seus treinadores, de seus patrocinadores e do estado do Piauí. Cielo, que falou em seguida, agradeceu pelos votos, e prometeu buscar os mesmos resultados em Londres-2012.

O tema da noite, que ficou claro já nos primeiros minutos da cerimônia - quando os apresentadores anunciaram a exibição do clipe da campanha carioca a sede das Olimpíadas de 2016 -, voltou a ser o centro das atenções no encerramento.


Primeiro, com o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. O dirigente, que já havia subido ao palco para prestar homenagem ao ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e ao governador do estado do Rio, Sérgio Cabral, recebeu o microfone para exaltar a campanha.



Nuzman discursou por 12 minutos e se dirigiu a todos envolvidos na campanha, como o presidente Lula, o empresário Eike Batista, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ex-presidente da Fifa João Havelange. A atleta Isabel Swan, embaixadora da candidatura Rio-2016, e a esposa de Nuzman também foram citadas pelo dirigente.



O presidente Lula fechou a noite, lembrando detalhes dos últimos dias de campanha, em Copenhague. O emocionado discurso do chefe de estado, cheio de boas tiradas, contagiou a plateia, que riu e aplaudiu.



- Eu pensei que já tinha vivido todas as emoções que um ser humano pode viver. Nunca imaginei que fosse viver a emoção que vivi em Copenhague, junto com tantos atletas brasileiros importantes. Na hora o nome do Rio de Janeiro foi anunciado, eu descobri que nunca vou morrer de infarto, porque senão eu teria morrido ali, tamanha foi a sensação - brincou.



Prestes a deixar a presidência, Lula só saiu do palco depois de fazer uma promessa, pela qual foi aplaudido de pé pela plateia.



- O Brasil não vai chegar às Olimpíadas com a cara lambida, para disputar meia dúzia de merreca de medalhas. Cada cidade tem que se transformar numa cidade olímpica. Em cada favela do Rio de Janeiro, vamos pegar aquele garoto que gosta de bater nos outros e levá-lo para lutar boxe. Não serei mais presidente a partir do dia 31 de dezembro do próximo ano, mas como cidadão brasileiro, tenho a obrigação de dedicar cada minuto da minha vida para ajudar vocês que estarão no governo a fazer dessa edição das Olimpíadas a mais organizada do mundo. Temos uma coisa que eles não têm. Temos uma alma do tamanho do Pão de Açúcar, um coração que pode fazer a diferença.


Às lágrimas, Joaquim Cruz recebe honraria

Entre os outros homenageados da noite estava Joaquim Cruz, que recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva , oferecido a ex-atletas que simbolizam o legado do primeiro bicampeão olímpico brasileiro. O campeão olímpico em Los Angeles/1984, Joaquim Cruz recebeu o troféu das mãos de João Havelange e não conteve as lágrimas.

Depois de um longo abraço no ex-presidente da Fifa, Joaquim Cruz fez um discurso comovente.

- A essência das grandes conquistas esta na capacidade de sonhar. Foi por isso que nós conseguimos trazer as Olimpíadas para o Brasil. O sonho é uma coisa dinâmica, que passa de uma geração para a outra. Ele tem um ponto de partida, mas não necessariamente um ponto de chegada. Hoje, a gente pode sonhar ainda mais, porque o Brasil está trazendo um dos eventos mais importantes do nosso planeta. Desta forma, a gente vai poder dar oportunidade para os jovens continuarem sonhando.



Confira os vencedores do Prêmio Brasil Olímpico 2009 em cada modalidade

Atletismo – Fabiana Murer
Badminton – Daniel Vasconcellos Paiola
Basquete – Anderson Varejão
Boxe – Everton dos Santos Lopes
Canoagem Slalom – Poliana Aparecida de Paula
Canoagem Velocidade – Nivalter Santos de Jesus
Ciclismo BMX – Renato Rezende
Ciclismo Estrada – Murilo Fischer
Ciclismo Mountain Bike – Edivando de Souza Cruz
Ciclismo Pista – Marcos Christian Novello
Desportos na Neve – Maya Harrison
Desportos no Gelo – Kevin Bettencourt Alves
Esgrima – Cleia Gulhon da Silva
Futebol – Marta Vieira da Silva
Futsal – Tiago de Melo Marinho
Ginástica Artística – Diego Hypolito
Ginástica Rítmica – Ana Paula Scheffer
Ginástica Trampolim – Taissa Paraíso Garcia
Handebol – Jaqueline Anastácio
Hipismo Adestramento – Luiza Novaes Tavares de Almeida
Hipismo CCE – Serguei Fofanoff
Hipismo Saltos – Rodrigo Pessoa
Hóquei Sobre Grama – Djeniffer Dombrowicz Vasques
Judô – Sarah Menezes
Levantamento de Peso – Rosane dos Reis Santos
Lutas – Laís Nunes de Oliveira
Maratona Aquática – Poliana Okimoto
Natação Sincronizada – Nayara Leite Figueira
Natação – Cesar Cielo
Pentatlo Moderno – Yane Marques
Pólo Aquático – Marina Canetti
Remo – Ailson Eráclito da Silva
Saltos Ornamentais – César Castro
Taekwondo – Natália Falavigna
Tênis – Thomaz Bellucci
Tênis de Mesa – Thiago Monteiro
Tiro com Arco – Brunna Hellen Araújo
Tiro Esportivo – Ana Luiza Ferrão
Triatlo – Reinaldo Colucci
Vela – Torben Grael
Vôlei – Fabiana Marcelino Claudino
Vôlei de Praia – Harley Marques Silva

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Toronto será sede do Pan em 2015. Cidade canadense supera Bogotá e Lima em votação da Odepa.


A cidade canadense de Toronto foi escolhida, nesta sexta-feira, para ser a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2015, depois de uma votação da Assembleia Geral da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa).

Toronto garantiu a vitória na primeira rodada da votação, com 33 votos, contra 11 de Lima (peru) e sete de Bogotá (Colômbia). Será a terceira vez que o Canadá sedia o evento, depois das duas edições em Winnipeg - 1967 e 1999.

Os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Peru, Alan García, participaram das apresentações das cidades de seus países antes da votação. A Colômbia foi sede do Pan em 1971, quando a cidade de Cali foi a anfitriã de 2.935 atletas que representaram 32 países.

Odepa inclui cinco modalidades no Pan

Na quinta-feira, a Odepa incluiu em seu programa as modalidades de caratê, boliche, pelota basca, esqui aquático, squash e patinação sobre rodas. Estes esportes se somam aos 30 que já faziam parte da competição e também concederão medalhas na 16ª edição dos Jogos Pan-Americanos, que se realizará em Guadalajara, no México, em 2011.



Fonte: http://www.globoesporte.com.br/

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio transforma o sonho olímpico em realidade e conquista os Jogos de 2016


É impossível prever quais serão os maiores atletas do planeta daqui a sete anos. Possível, sim, é saber em que palco eles vão brilhar: o Rio de Janeiro. Em uma sexta-feira histórica para o esporte brasileiro, os cariocas conquistaram em Copenhague o direito de sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Até a cerimônia de abertura no Maracanã, serão mais de 2.400 dias. Tempo de sobra para viver intensamente cada modalidade, moldar novos ídolos e, acima de tudo, deixar a cidade ainda mais maravilhosa. Superadas as rivais Madri, Tóquio e Chicago, finalmente dá para dizer com todas as letras: a bola está com o Rio.


Quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, abriu o envelope com os cinco anéis olímpicos e anunciou a vitória do Rio, foram duas explosões simultâneas de alegria. Na Praia de Copacabana, a multidão que aguardava o resultado soltou o grito e começou a comemorar sob uma chuva de papel picado.

Dentro do Bella Center, os integrantes da delegação brasileira repetiram a festa de forma efusiva. Sem conter as lágrimas, Pelé comandava a celebração, abraçando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e os esportistas. Entre gritos e abraços, difícil era encontrar um brasileiro que não estivesse chorando.

Enquanto isso, no Air Force One, Barack Obama já voltava para casa, com as mãos vazias e uma decepcionante eliminação na primeira rodada. A população japonesa, em sua maioria contra a candidatura, pôde festejar a saída na segunda fase. Madri avançou à final, mas não conseguiu emplacar duas Olimpíadas seguidas na Europa. E a vitória brasileira sobre os espanhóis na última rodada veio com sobras: 66 votos contra 32.

Na primeira fase, Chicago foi eliminada com apenas 18 votos. Madri liderou a primeira parcial, com 28, seguida por Rio (26) e Tóquio (22). A segunda etapa já teve o Rio bem na frente, com 46, contra 29 dos espanhóis e 20 dos japoneses, que saíram da briga.

O Brasil, que lutava há mais de uma década pelo direito de sediar os Jogos, ganhou a disputa na lágrima, da mesma forma como costuma festejar suas conquistas em cima do pódio em competições mundo afora. Com uma apresentação marcada pelo tom emotivo nesta sexta-feira, o Rio deu a cartada final para convencer os integrantes do Comitê Olímpico Internacional a plantar o movimento olímpico na América do Sul pela primeira vez. A estratégia funcionou bem.

A vitória, na verdade, começou bem antes disso. Após duas tentativas frustradas para as edições de 2004 e 2012, o projeto de 2016 teve o mérito de unir as três esferas de governo. Além disso, a comitiva incluiu não apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas um rol de astros esportivos como Pelé, Cesar Cielo, Guga e Torben Grael

Quando foram anunciadas as eliminações prematuras de Chicago e Tóquio, o Rio sabia que teria, na última rodada de votação, um adversário de peso. No relatório técnico do COI, Madri ficou à frente dos cariocas. Na hora da decisão, contudo, os votantes mudaram de opinião.

Quando o Brasil ainda estava na madrugada, começaram as apresentações. A primeira cidade a falar para os integrantes do Comitê Olímpico foi Chicago. O presidente Barack Obama, que tinha chegado algumas horas antes, reforçou o discurso de “uma América de portas abertas para o mundo”. A apresentação foi pragmática e ainda passou por um momento de saia justa, quando o paquistanês Syed Shahid Ali, membro do COI, questionou a dificuldade que alguns estrangeiros têm para conseguir visto de entrada nos Estados Unidos. Enfático, Obama afirmou que acredita num país mais receptivo ao mundo. Mas não terá os Jogos de 2016 para provar a tese.

Na apresentação de Tóquio, o premiê Yukio Hatoyama estava desconfortável por ter que discursar em inglês. Diante da preocupação do COI com o meio ambiente, os japoneses tentaram convencer os votantes de que poderiam fazer os Jogos mais ecológicos da história

O Brasil entrou em cena na terceira apresentação, batendo na tecla de que a América do Sul merecia a chance de, enfim, sediar o evento. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, chegou a citar o pré-sal como trunfo verde-amarelo. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes reforçaram o elo entre todas as esferas políticas. Mas foi a emoção que deu o tom dos discursos. A jovem Bárbara Leôncio, do atletismo, não conteve as lágrimas enquanto sua imagem aparecia no telão. E o presidente Lula resumiu o espírito da candidatura ao citar a paixão brasileira pelo esporte: “Chegou a hora.”


Madri veio em seguida e surpreendeu. A capital espanhola mostrou um projeto seguro e confiável, até em um de seus pontos fracos: o controle de doping - a comitiva levou a Copenhague uma carta com garantias da Agência Mundial Antidoping (Wada). Com 77% das instalações para 2016 já construídas, Madri apresentou uma candidatura de poucos riscos. “É a decisão segura”, afirmou o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero.


FONTE: http://www.globoesporte.com/

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